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domingo, 4 de outubro de 2015

Desafios do Conectivismo - Artigo Web Currículo

Entre os dias 21 e 23 de setembro de 2015, aconteceu em São Paulo o IV Seminário Web Currículo e XII Encontro de Pesquisadores em Currículo. Participei do evento não apenas como ouvinte, mas também como autora do artigo Desafios do conectivismo como uma teoria democrática da aprendizagem, que será em breve publicado nos anais (compartilharei o link).

Fiz uma breve apresentação do artigo aos participantes e disponibilizei os slides aqui.

Agora estou na expectativa do próximo evento do qual participarei e no qual também me apresentarei, VIII Encontro de Pesquisa do TIDD/PUCSP. É aberto ao público e acontecerá no dia 13/10/2015, das 13h30 às 21h... Vamos? ;-)


terça-feira, 31 de março de 2015

Compartilhando Bibliografias Anotadas

Em continuação à atividade proposta na uc Processos Psicológicos em Elearning, do mestrado em Pedagogia do Elearning (UAB), compatilho aqui as bibliografias anotadas de alguns dos meus colegas de turma, com os respectivos links para seus blogs.



Siemens, G. (2004). O Conectivismo:  A Teoria da Aprendizagem para a Era Digital. Capturado de: http://www.elearnspace.org/Articles/connectivism.htm. Acedido em: 22 de mar.2015.

O artigo aborda o conectivismo como uma evolução nas teorias da aprendizagem, visto que o mundo evolui de tal forma que a aprendizagem deve ser vista de uma nova ótica. O autor George Siemens faz um confronto de ideias  entre as três teorias da aprendizagem mais utilizadas: behaviorismo, cognitivismo e construtivismo,  para então apresentar o conectivismo.   Esse autor, explica que a sociedade em rede está ligada a diversos meios de veiculação de informações e  diferentes formas de aprendizagem. Ele traz um termo novo que é a “meia vida do conhecimento”. É nesse sentido que Siemens explica a necessidade de revisar as teorias existentes ou mesmo criar novas teorias devido às novas condições. Neste panorama atual, o autor chama a atenção para a necessidade de adaptar ás mudanças para a produção de aprendizagem. Siemens explica que o “Conectivismo é integração de princípios explorados pelas teorias do caos, da rede e complexidade e de auto-organização”. Sendo assim, ele aborda alguns princípios do Conectivismo destacando os desafios da nova realidade, principalmente a gestão do conhecimento e a inovação. Percebe-se nesse artigo a necessidade de o professore estar sempre atualizado e ser um empreendedor do conhecimento, além de ser crítico e estimular os alunos à criticidade e criatividade.
  Por Aparecida Torres (blog)

Andeson T. &  Dron, J. (2011)  Três Gerações de Pedagogia de Educação a Distância. Athabasca University, Canadá. Tradução: João Mattar. TIDD - PUC-SP. Brasil. Capturado de:http://eademfoco.cecierj.edu.br/index.php/Revista/article/viewFile/162/33. Acedido em: 17 de mar.2015.

O artigo dos pesquisadores Anderson e Dron traz uma análise de três gerações de teorias de pedagogia utilizadas na educação a distância. Os autores apresentam as seguintes teorias: cognitivo-behaviorista como a primeira geração que utilizava as cartas e correio; socioconstrutivista como a segunda que fez uso dos meios de massa e conectivista como a terceira geração que utiliza tecnologias interativas áudio, vídeo  internet. Segundo os autores, cada uma dessas teorias se desenvolveu conforme a época e a tecnologia disponível associada às concepções de aluno e aprendizagem. Assim, os autores desenvolvem as análises buscando explicar as presenças cognitiva, social e de ensino em cada uma das teorias apresentadas. Percebe-se que na primeira geração quase não há interação social. O foco é no resultado, portanto valoriza muito o estímulo. Os autores esclarecem que os métodos que se baseiam nesta teoria são muito utilizados em treinamentos. Já a Pedagogia socioconstrutivista tem suas raízes nos modelos de Vygotsky e Dewey que muito valorizam as interações sociais. Neste modelo comunicação tem lugar de destaque. A Pedagogia Conectivista desenvolveu-se na era da informação e da era em rede. É nesse contexto que a aprendizagem conectivista ganha espaço. É a aprendizagem conectada: muitos para muitos. A presença social é intensa. O professor não é o único responsável pela aprendizagem do aluno. Aprendizes e professores trabalham de forma colaborativa. Apesar de apresentarem características diferentes e evoluírem em contextos distintos, os autores esclarecem que nenhuma das teorias anulou a anterior e sim, pelo contrário, ancoraram naquela que precedeu para edificar. Assim como ainda são utilizadas. As teorias e as gerações apresentadas estão estreitamente ligadas ao avanço tecnológico. Sendo assim, os autores chamam a atenção para as próximas gerações web2.0, web3.0, realidade aumentada, etc. Acredito que diante da crescente evolução tecnológica, é mesmo preciso preocupar com novas tendências, principalmente no que tange ao papel do professor e dos designers de curso EaD. Esses deve star tento ao novo aluno que busca o e-lerning e proporcioná-lo a melhor formação pra atuar na sociedade em rede com ética.
 Por Aparecida Torres (blog)

Neste artigo, Anderson e Dron discutem sobre as três gerações da pedagogia de educação à distância. Definem os principais modelos pedagógicos existentes: cognitivo/behaviorista, que predominava numa época em que havia limitações tecnológicas, não havendo presença social e sim um ensino mediado por textos, sons e imagens gravados; o modelo socioconstrutivista, onde a tecnologia já proporcionava oportunidades para interações, centrando a aprendizagem em relacionamentos e experiências e modelo conectivista, onde a aprendizagem passa a ser um processo de construção de redes de informação e contatos, centrando-se em redes de pessoas, artefactos digitais e conteúdo. Descrevem o surgimento desses modelos, principais características, presença nos âmbitos cognitivo, social e de ensino e respectivos pontos fortes e fracos. Professor, aluno e conteúdo existem em qualquer uma das modalidades, porém a relação entre eles se modifica, pois o inter-relacionamento acontece de tal maneira que forma-se uma rede de construção e colaboração, onde o conteúdo é gerado pelo próprio usuário. A eficácia da aprendizagem surge da junção e utilização dos pontos fortes de cada um dos modelos. 
Por Eliane Ciolfi (blog)

Cabero, J. (2006). Bases pedagógicas del e-learning. Revista de Universidad y Sociedad del Conocimiento (RUSC) (Vol. 3, n.° 1. UOC.). recuperado dehttp://www.uoc.edu/rusc/3/1/dt/esp/cabero.pdf

No artigo, Julio Cabero apresenta as características essenciais e as fronteiras delimitadoras da modalidade formativa eLearning. Descriminando algumas das suas vantagens e inconvenientes e partindo do pressuposto de que a tecnologia e as competências tecnológicas mínimas são o ponto de partida deste modelo de trabalho e não variáveis críticas do mesmo, identifica nove variáveis críticas que considera garantirem o êxito das ações formativas no sistema em rede. Assim, os conteúdos, o papel do professor, o papel do aluno, a e-atividade, os aspetos organizativos, os modelos de avaliação, as ferramentas de comunicação, as estratégias didáticas e a comunidade virtual são considerados fatores fulcrais que devem passar por uma revisão profunda de modo a distanciarem-se de práticas educativas tradicionais que não encontram enquadramento num sistema eLearning eficaz. Ao debruçar-se sobre cada uma das variáveis identifica a transversalidade do papel do professor e das instituições e da absoluta necessidade de investigação na área.
Trata-se de um artigo claro, direto e bem estruturado que, na abordagem abrangente e simples dá um panorama genérico das questões complexas que a estruturação de um projeto eLearning exige. Um excelente artigo-base para definir os contornos de reflexão a ter em conta na construção de processos pedagógicos eLearning eficazes.
Por Ana Margarida (blog)

Baran, E., Correia, A. & Thompson, A. (3 nov. 2011). Transforming online teaching practice: critical analysis of the literature on the roles and competencies of online teachers. Distance Education (vol. 32, n.º 3). pp. 421-439. recuperado dehttp://cohortresearch.wiki.westga.edu/file/view/lit+anaysis.pdf  

Considerando que as diferenças entre o ensino online e o tradicional colocam desafios diferentes aos professores, os autores analisam criticamente literatura sobre os papéis e as competências que lhe são exigidas neste contexto. A transformação constante obriga a perspetivar este professor como um aluno em permanência que necessita emancipar e ampliar competências a todo o momento, num processo contínuo de “aprendizagem transformativa”. Depois de identificados os principais papéis e competências do professor online assinalados em diferentes investigações, são apontadas algumas limitações aos estudos existentes por serem diretivos e impositivos e não estimularem a reflexão crítica sobre a experiência, a atuação sobre a realidade e a integração da tecnologia. Os autores consideram que é fundamental a preparação para o dinamismo e multifuncionalidade, para análise crítica, criatividade e cooperação de modo a que os professores tenham uma atitude inovadora e interventiva nos diversos papéis e competências que lhe são exigidas em eLearning.
Por entre a pertinência da reflexão feita pelos autores obtém-se um quadro genérico das principais perspetivas sobre os papéis e as competências dos professores online. Simultaneamente, os autores introduzem uma dinâmica de empreendedorismo pessoal/colaborativo patente no conceito de professor-aluno e na ideia de construção transformativa, evidências que não podem ausentar-se da prática pedagógica emeLearning e, por isso, não podem também distinguir-se da investigação e da formação na área.
Por Ana Margarida (blog)


Anderson, Terry (2008). Teaching in an Online Learning Context. In Anderson, Terry (Ed), Theory and Practice of Online Learning. Athabasca University: Au Press (2ª Edição), acedido a 29 março de 2015 e disponível em http://www.aupress.ca/books/120146/ebook/14_Anderson_2008-Theory_and_Practice_of_Online_Learning.pdf 


Descrição: O Artigo evidencia a importãncia do professor e tutor em ambiente de ensino online, argumentado pelo modelo de Garrison, Archer e Anderson (2000), que fala em 3 dimensões que são; a presença social, a cognitiva e a presença de ensino como factores primordiais para se consolidar uma comunidade que averihue ela própria de forma minuciosa.

Anderson (2009) refere-se a um ambiente na web que crie uma aprendizagem não possível noutro meio. Ambiente esse que devemos percebê-lo através de uma forte percepção. Refere o Autor neste seu artigo que o professor em meio online deve estar o mais presente que possa, mencionando para o efeito práticas e processos técnicos o tornem possível, tornando o método de aprendizagem mais atrativo a todos os que ale acedam o que é uma mais-valia para o Ensino à Distância.

De realçar nos diversos itens que constituem este texto o facto de o Autor elencar 3 elementos que de alguma maneira criticam o papel do professor:

  1. Implementar atividades que atraiam a presença social a interagir.
  2. Desenhar e estruturar o curso de forma correta e atraente.
  3. Estimular a presença alicerçada na cognição, com a colocação de materiais potenciadores e relevantes do seu saber e competências.

Comentário: Do exposto atrás na descrição e da resenha feita ao artigo apraz-me registar que o Autor sugere que existe aprendizagem quando se integram os 3 factores referidos acima da presença social, cognitiva e ensino/professor. A social relacionada com o facto de o sujeito poder desenvolver os seus conhecimentos de maneira sustentada com foco a uma aprendizagem colaborativa. Na cognitiva temos mais o âmbito do pensar de forma crítica que ocorre fruto de um ganho de competências adquiridas. Por fim de destacar a presença do professor que assume neste contexto um papel diferente do que ocorre quando do processo de educar formalmente.
Por António Namorado Costa (blog)


Neste artigo, Terry Anderson aborda a criação de uma comunidade educativa online, destacando três aspectos importantes: presença cognitiva, presença social e presença de ensino. Nesse contexto, considera como elemento mais atrativo a versatilidade do tempo e local na interação educativa, onde o conteúdo é proporcionado em diferentes formatos, com acesso a grandes repositórios de informação. Quanto à presença de ensino, delineia papéis desempenhados pelo professor: concepção e organização da aprendizagem, implementação das atividades incentivando discussões, moderação das experiências educativas e contribuição nos conteúdos de diversas maneiras, procurando criar e manter a presença de ensino. O autor menciona o grande desafio que é a “mistura” adequada entre oportunidades para a interação síncrona e assíncrona, atividades em grupo e trabalhos individuais, além de criar atividades de aprendizagem adequadas às necessidades dos alunos e às competências e estilo do professor, incluindo também capacidade técnica e institucional. Analisa a questão da avaliação da aprendizagem online e importância do feedback, instrução direta e qualidades do e-professor. O assunto mencionado neste artigo trata de questões básicas para a aprendizagem online. Ainda teremos muitas descobertas, mudanças e evolução das tecnologias, influenciando no desenvolvimento do processo, conteúdo, interação e objetos de aprendizagem, implicando, necessariamente, em desenvolvimento de novas competências, novos desafios para alunos e professores.
Por Eliane Ciolfi (blog)


Morgado, L., Pereira, A., Mendes, A., & Aires, L. (2005). Para uma Pedagogia do eLearning: o “contrato” como instrumento mediador da aprendizagemActas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa (SIIE05), 125-130. Acedido a 30/03/2015. Disponível em http://www.niee.ufrgs.br/eventos/SIIE/2005/PDFs/Comunica%E7%F5es/c125-Morgado.pdf


Descrição: Um artigo muito bom e não outra coisa não se esperaria quando olhamos para o rol de Autores. Fundamental como o mesmo aborda, por exemplo, os diversos procedimentos pedagógicos, quer para Docentes, quer para Discentes.  A comunicação interpessoal é mencionada como forma imprescindível a uma boa compreenssão entre os membros ativos nas atividades propostas e nesse contexto possam construir significados que sejam pelas partes partilhados.

No que respeita ao factor preponderante deste artigo que é o Contrato de Aprendizagem, é um tema que sobressai desde logo pela sua importãncia e de como o mesmo incute em todos os que o integram a Responsabilidade inerente ao seu conteúdo e consequente aceitação e por inerência os Deveres que os Discentes e os Docentes têm a partir desse momento em o cumprir ao longo do percurso que dele consta.

Comentário: Este artigo foi escolhido, desde logo por se enquadrar no âmbito que me diz respeito diretamente, enquanto mestrando, logo como fazendo parte dessa responsabilidade que todos devemos partilhar e cumprir na íntegra e quando não o conseguirmos fazer, justificar o facto de forma fundamentada. Esta função do tipo bússola orientadora desse Contrato de Aprendizagem é sem dúvida uma mais-valia quer para os professores, quer para os aprendentes, permitindo-lhes seguir uma linha correta em cada uma das atividades contidas no mesmo, não deixando dúvidas aos seus integrantes o que cada um tem como Dever mas também como Direito implícito ao Contrato. É relevante focar o estudo Empiríco que nos relata o artigo, embora, não esteja com os dados finais mencionados é relevante perceber qual a opinião dos interessados no que concerne aos conteúdos dos Contratos e formas como os mesmos são elaborados, para que se possam afinar agulhas que eventualmente não estejam nas melhores condições.
Por António Namorado Costa (blog)


ANDERSON, T. (2004). Teaching in an online learning context. Theory and practice of online learning, 273-294. 

Terry Anderson, um dos expoentes da Educação a Distância, professor da Universidade de Athabasca, entre outros vários cargos ligados ao estudo e investigação do Elearning, destaca- se como um grande teórico dos processos de aprendizagem online. O autor foca o artigo na questão do papel do professor online, partindo do modelo teórico de Garrison, Anderson e Archer (20001 ). Neste sentido, parte de conceções cognitivas, sociais e de ensino para o estabelecimento de experiências de aprendizagem - comunidades de inquirição. Apontando técnicas e práticas que devem nortear a aprendizagem online, assim como o desenho e a própria estrutura que devem qualificar um curso online, reforça-se a importância das interações que se estabelecem entre aluno, professor e conteúdo. É evidente o papel do professor online como tutor e mediador dessas interações, como elemento que cria, personaliza e partilha conteúdos e atividades pedagógicas. Desta forma, Anderson promove uma importante reflexão sobre as três componentes de presença de ensino, conceção e organização, que são fundamentais para um professor online adequado à sociedade em rede atual.
Por Hélder Pereira (blog)


SIEMENS, G. (2010). Teaching in social and technological networks. Connectivism. Recuperado de http://www.connectivism.ca/?p=220. 

George Siemens, um dos nomes mais importantes do Ensino a Distância, professor assistente da Universidade de Athabasca, entre outros cargos, destaca-se como teórico dos processos de aprendizagem online, nomeadamente no que respeita ao Conectivismo. O autor foca o artigo nos impactos da integração da tecnologia no processo de ensino- aprendizagem. Assim, partindo das limitações das teorias behavioristas, cognitivistas e construtivistas, Siemens propõe o Conectivismo como a teoria da aprendizagem da era digital. O autor defende que a integração da tecnologia em Educação incita a uma mudança do paradigma educativo e reconfigura o papel do professor. Esta mudança deve ser concebida numa dimensão sistémica, na qual o professor é o influenciador e o instigador do conhecimento. Para que a aprendizagem seja efetiva são importantes as interações que se desenvolvem, num cenário de aprendizagem que deve ser centrado no aluno. O processo de aprendizagem passa a ser, com o modelo conectivista, predominantemente colaborativo, partilhado, tecnológico e digital, características essenciais da aprendizagem de e para uma sociedade em rede.
Por Hélder Pereira (blog)


quinta-feira, 5 de março de 2015

TICs e Educação - O Papel do Professor

A internet trouxe consigo mudanças sociais, políticas e econômicas que vieram para ficar. É possível que ela evolua ainda, que se altere, mas algumas das coisas que ela proporcionou à nossa cultura não têm mais volta. Neste sentido, menciono especialmente o fato de atualmente estarmos todos conectados, seja em casa ou no trabalho, seja pelos dispositivos móveis ou computadores desktops, a qualquer hora, em qualquer lugar. Além de podermos acessar a rede com imensa facilidade, também nos tornamos "reféns" dela, pois podemos ser igualmente acessados e localizados. Mas, é bem verdade que, apesar de sermos localizáveis, podemos estar em vários lugares ao mesmo tempo. A isto, dá-se o nome de ubiquidade.


A rede é construída e mantida por todos os seus usuários e a quantidade de informações que circulam por ela é incontável. Não só as informações são numerosas, mas também os recursos por ela oferecidos. E é exatamente em meio a tantas informações e recursos que o internauta se perde. Não é incomum ligarmos um dispositivo para, por exemplo, comprar o ticket de um show e, após horas de navegação na web, termos esquecido completamente de fazê-lo. Cada internauta costuma ter seu próprio ritual de utilização da internet. Eu, por exemplo, sempre acesso determinados sites ou aplicativos ao ligar o computador. Abro várias abas no meu navegador e acesso minhas duas contas de email, o Facebook, por vezes acesso meu portal acadêmico e só então vou atrás do meu real objetivo na internet. Confesso que após este percurso inicial, não é raro eu me distrair com outros assuntos e esquecer o que ia mesmo fazer no computador.

No entanto, ainda que a rede tenha um grande potencial para distrair seus usuários, não podemos deixar de reconhecer seus infinitos benefícios. As crianças e jovens de hoje já estão tão imersos nesse contexto que mal conseguem desconectar-se da internet. Para eles, acessar informações a qualquer hora e de qualquer lugar é uma prática comum e que, muitas vezes, incomoda uns e outros, a citar professores adeptos de uma educação mais tradicional e hierárquica, na qual eles eram os principais detentores do conhecimento, figuras de poder. Hoje não há nada mais sábio do que a rede. Lá estão todas as informações possíveis e imagináveis. Portanto, a internet (principalmente a acessada pelos dispositivos móveis) tem sido para muitas escolas um monstro assustador e, por não saberem lidar com isso, fazem uso de uma estratégia que sempre é mal sucedida: proíbem seu acesso.

Com isso, deixam seus alunos frustrados e tentam ensiná-los de forma completamente descontextualizada de sua realidade, tornando assim a escola desinteressante. Ao meu ver, professores que resistem à incorporação dos recursos da rede e das TICs em suas práticas estão fadados ao fracasso e, por que não, à morte de suas carreiras profissionais.

É fundamental que qualquer profissional do séc. XXI busque constante atualização para ter sucesso profissional. Em um cenário de excesso de informações, tudo o que não se renova é rapidamente abandonado, cai em desuso, é substituído por algo mais moderno. Assim acontece com informações, recursos e também com pessoas. O professor não está livre disso. Negar o avanço das tecnologias não garantirá que ele não seja vítima dela.

O papel do professor está mudando e o que precisa ser ensinado hoje é como utilizar todos os recursos que a rede nos disponibiliza. Como filtrar, selecionar, saber aproveitar o mar de informações lá existente. Qualquer um pode publicar o que quiser na internet, mas é preciso formar alunos que saibam avaliar quais destas informações são merecedoras de confiabilidade, credibilidade. É preciso orientá-los também a respeito das diferenças existentes entre informações online e informações impressas e porquê é importante saber fazer uso de recursos variados.

Sobretudo, podemos dizer que o papel do professor é o de formar seres humanos íntegros, éticos e qualificados para atuar no mundo fora da escola. Porém, o mundo não é estático. Ele muda e não é concebível que o professor não o acompanhe.

Imagens:

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Letters to Michael Wesch

Nosso professor da UC Educação e Sociedade em Rede (Mpel), António Teixeira, recomendou quatro vídeos de Michael Wesch que tratam questões relacionadas a educação e tecnologias. Em grupos, fomos incentivados a refletir sobre tais questões e, por fim, deveríamos elaborar comentários a serem enviados ao próprio professor Wesch. Abaixo, seguem os vídeos e os respectivos comentários que eu (Bruna Mazzer Nogueira) e minhas colegas da equipe Sigma, Ivanilda Ramos e Elizabeth Batista, gostaríamos de fazer ao professor.

Vídeo 01 - Students Help Students



Dear professor Wesch,
The video "Students helping Students" has led us to reflect on the social function of education and the mobilizing power of networks.  We believe that actions like this should be encouraged, contributing to the recovery of the social function of education.
Using the network for interaction and dissemination of information exponentially enhances the number of people involved and has much faster and bigger effects. Unlike what many people say on the solitary nature of self-formation stimulated by current technological resources, this experience shows that collaborative networks have great potential and can still mobilize more people for community actions of mutual aid,  strengthening a sense of belonging to a group and the interaction with others that are somehow connected (most of these people have never met each other personally).
While watching this video, we got curious about some aspects,  such as the sustainability of the effects of these actions on human and social education of the students involved in the project. Does the collective and colaborative behavior observed on project execution continue to reverberate in the individual behavior of each young participant? Are these behaviors expanding to other life areas of the participants?
Finally, we would like to congratulate all the people involved in the project for the beautiful and inspiring work. 
Bruna Nogueira, Elizabeth Batista and Ivanilda Ramos

Vídeo 02 - A Vision of Students Today

Dear professor Wesch,
After watching the video "A Vision of Students Today" we decided to write you our comments. We are a group of students from Universidade Aberta (UAB), Portugal. As our master program is named "pedadogy of the elearning", we study the existing connections between education and technology and the video mentioned above shows some ideas that we consider highly important to be discussed nowadays.
Schools all over the world insist on an education that is no longer effective to the 21st century student. The traditional way of teaching and learning may have been appropriate in the past, but the kids of today are born in a completely different scenario and they come to school with such a different background and such different needs when compared to kids from the past. 
The video shows how far schools are getting from what students expect, from their reality, things they are interested in and the way they do things, what includes the way they learn whatever is new. This generation is multitask, interactive, criative, connected, informed. They care about big things such as their future and social problems. Being locked up in a room where they cannot freely interact with the ones besides them nor the world outside is not only boring, but also pointless. The commonly adopted educational ways are tremendously late in understanding their 21st century students and so they are strongly failing in their mission of teaching.
Knowing all that, we still stuck with one question: so why do we insist in doing things the old way?
Well.. this is a kind of question that, in our opinion, is even more important than its answer. Despite all explanation that could be given to this sad reality we are watching at our obsolete schools around the globe, the key for the needed change is probably in the question itself. If we could ask that more often and make teachers, directors of schools, politicians, researchers, parents, kids and everybody else think and talk about it more and more, we could definitely find new ways to make huge improvements in education and so in the world as a whole. 
Said all that, professor, we would like to end up by thanking you for the beautiful work you do and for the opportunity you give us not only of thinking and talking about needed changes in education, but also for the opportunity of having hope in the world still.
Best regards,
Bruna Nogueira, Elizabeth Batista and Ivanilda Ramos

Vídeo 03 - The Machine is (Changing) Us

Dear professor Wesch,

The vídeo 'The Machine is (Changing) us, YouTube Culture and the Politcs of Authenticity' is a record of a speech of your, from 2009, at the 'Personal Democracy Forum'. Here goes a brief summary of what we understood of the speech: 
Currently, there are two trends: on the one hand, the self-affirmation at the expense of civic participation; on the other hand, the fragmentation of individual interests and beliefs. Wesch looks at the analysis of personal relationships in a way that is somehow philosophical, we may say.


He begins by stressing some parallels between '1984' by George Orwell and 'Brave New World' by Aldous Huxley. He also mentions the book by Neil Postman 'Amusing Ourselves to Death' where the media are not seen as mere means of communication. Marschall McLuhan is quoted with 'We shape our tools, and thereafter our tools shape us'.Wesch also speaks briefly about the impact of some of the features of television as a 'mass media'. 

What leads to an extraordinary adherence to projects like 'American Idol'? Sociologists study the feeling of loneliness and anonymity of people in cities and suburbs, but also in the workplace. It seem, also to be there a lack of connection between people and so it emerges the feeling of being insignificant when not recognized by the others. 

Wesch states that the new media supports the search of ourselves, but also changes the way we do that and, at the same time, changes notions such as authenticity. To whom are we talking when we present ourselves in YouTube or other services like blogs, micro-blogging or social networks? But it seems to be important not how the other sees me but how I will see me in an other moment in Internet. McLuhn called it 're-cognition and new forms of self-awareness'. Wesch observes that people in Internet tend to express a deep self-reflection. 

Wesch continues with the argument that new media make possible a connection without constraints, allowing connections of different ways, building brigdes, communities, creating new forms of self-knowledge. 

Based on all the ideas presented above, we came up with some thoughts that we would like to share with you. 

An example of social change that we are suffering because of the influence of social networks and the Internet is in the language. The Internet communication induced people to simplify writing in order to be more efficient. Abbreviations and symbols are frequently used in informal communication between people. Will future generations know how to write properly or they will be more familiar with the web-language and will not be able to learn the formal spelling. Concerning the language, English is the international Internet idiom. Is the machine promoting the superposition of one culture upon the others? Are we heading to drastic changes on our cultural identities and references that can lead the their extinction? 

About the idea that the internet can sometimes allow us to connect more deeply than ever before, we asked ourselves why the internet makes people feel closer to one another. When we are dealing with a webcam, it seems easy to say everything that comes to mind, including having some kind of intimacy that in real life would be almost impossible. Can this be seen as an approximation with an unknown crowd, intense and even genuine? The one before the Webcam is the real one, does he identify himself with others in the crowd? Admires the other person's courage to expose themselves? Is this another way the machine is changing us? 

If we understood you well, in your opinion, we should have hope for a future in which the individual is not disinterested of public discussion and civic participation and is able to say "Yes, I care, I care about". That's a very positive and exciting way of looking ahead. Thanks!
Your sincerely,
Bruna Nogueira, Elizabeth Batista and Ivanilda Ramos

Vídeo 04 - The Machine is Us/ing Us

Dear professor Wesch,
The video "The Machine is Us/ing Us" shows us the evolution of the Web since the beginning of the html to the present situation, in which we are considered the machine: by clicking on a link to interact on the Internet, we become part of the process. Since the beginning, the use of technology promotes changes in the human's constitution, influencing their behavior, their culture, their social relations and subjectivity. This video aims to make some reflection on how technological innovations change the lifestyle of the post-modern man and the effects it has on what we understand by "human" itself.
The hypertext is not only the creation of a link between texts; the internet is not just a set of connections between texts: the internet connects people, leads them to make business, communicate and interact with others. Therefore, we have to rethink the copyright, ethics and aesthetics, governance, family, love, identity (who we are?).
This video reveals the advantages of digital text when opposed to paper text. While the paper text is linear, digital texts are flexible, offering the opportunity to create hyperlinks with an unlimited ability to scan information and promote knowledge. Web 2.0, favoring a spread of telematic networks, provides means of research as well as the creation of information, supporting autonomy and the possibility of participation and sharing at a planetary level. Covering an open field of issues in all fields of culture, social and education, making it viable through wikis, blogs, interaction and sharing in which everyone can increase specific and enriching knowledge, from mere users the dynamic producers, an interactive creativity. 
In a world of digital networks, it's easy to access information, build new contents and share them with the world. With that in mind, it's possible to understand the urgent need of socializing the importance of intellectual property rights, identity, privacy, in the areas of personal and social life. Web 2.0 comes releasing an unprecedented reality of interaction and communication in which almost everyone can participate without requiring great knowledge.
Therefore, we need to reflect on how technology has changed the way people interact with others. Internet provides new knowledge, much convenience and entertainment, but will it eventually increase the distance of people from the real world? To avoid that, we believe it’s very important that people know how to use it consciously.
Best regards,
Bruna Nogueira, Elizabeth Batista and Ivanilda Ramos

Recensão Crítica
por Bruna Mazzer

Não é incomum encontrarmos ainda hoje pessoas resistentes às tecnologias. Tais pessoas costumam interpretar a influência da internet, dos computadores, dispositivos móveis, redes, etc como sendo negativas e responsáveis por males diversos à sociedade. Dentre suas críticas está, muitas vezes, a questão das perdas nas relações interpessoais: pessoas interagem mais com telas do que com outras pessoas. Alguns acusam as tecnologias de promoverem uma intensificação do sentimento de egoísmo, individualismo, que seria nocivo ao desenvolvimento das sociedades.
Ainda que essas e outras críticas possam ser muito bem defendidas e argumentadas por aqueles reticentes ou contrários às tecnologias, encontramos evidências de um outro lado da mesma moeda, indicando que as tecnologias, e principalmente a rede, podem ser extremamente benéficas à sociedade. Um dos vídeos propostos nessa atividade (vídeo 1 - Student Helping Students) é uma prova de como a solidariedade, a colaboração e a cooperação estão presentes entre os alunos da Universidade de Kansas. Os alunos da universidade organizaram-se a fim de ajudar outros alunos que precisam de apoio financeiro para continuar seus estudos. Porém, as noções de solidariedade ultrapassam a questão financeira e são notadas em diversas situações, como quando ajudaram um colega a estacionar o carro ou a atravessar a rua. A elaboração do vídeo disponibilizado no Youtube e do site com informações sobre o projeto e links para doações foram fundamentais para que a ideia se tornasse mais conhecida, difundida, bem sucedida e, por que não, para que servisse de inspiração a outras pessoas e instituições.
Outro vídeo (vídeo 4 - The Machine is Us/ing Us) também nos remete à questão da solidariedade e colaboração. A utilização das TICs favorece construções de conhecimentos de forma coletiva e interativa e sua não-linearidade está de acordo com a forma pela qual pensamos e agimos hoje. Dessa forma, é possível ver as tecnologias como promotoras e intensificadoras das relações interpessoais e, nesse sentido, o fenômeno da Web 2.0 foi crucial. Essas novas possibilidades de interação, em associação à rapidez com que as informações circulam pelas redes, têm ocasionado profundas mudanças no homem pós moderno e na sociedade na qual ele está inserido. Tais mudanças, porém, são comumente desconsideradas pelas escolas e outras instituições de ensino, tornando-as desinteressantes para seus alunos e constituindo um grave problema atual. O vídeo 2 (A vision of Students Today) explicita bem esta situação.
Michael Wesh, professor associado de antropologia cultural na universidade de Kansas, é famoso por seus métodos e técnicas de ensino inovadores.Em sua apresentação (vídeo 3 - The Machine is (Changing) Us) no Personal Democracy Forum de 2009, no Lincoln Center, ele aborda algumas dessas questões que entrelaçam a realidade tecnológica de hoje, redes sociais, a vida em sociedade, formação da identidade, mudanças culturais, entre outros. Sobre o fato de muitas vezes nos relacionarmos mais com máquinas do que com pessoas propriamente ditas, Wesh mostrou alguns vídeos no estilo "vlog", nos quais pessoas gravam a si mesmas e depois compartilham os vídeos na internet para que outros assistam e comentem. As pessoas gravam a si mesmas como se estivessem dialogando com alguém real, quando, na verdade, estão dialogando com uma máquina. As interações com as outras pessoas que comentarão seu vídeo serão posteriores. Ainda que o diálogo com a máquina intencione a comunicação com outras pessoas reais, talvez fosse pertinente começarmos a analisar a presença constante das máquinas em nossas vidas como responsável por uma mudança de significado e interpretação das mesmas. Não estaríamos vivenciado um período histórico de "personificação" das máquinas? Conversamos intimamente com câmeras, dormimos com nossos aparelhos celulares, desenvolvemos comportamentos afetivos com equipamentos. Temos, por vezes, a tecnologia como parte do nosso próprio corpo, parte de nós. Quantas pessoas vivem com uma perna mecânica ou com um marcapasso, por exemplo?
E não é só isso. As máquinas tantas vezes também comportam-se de forma "humana" ao relacionarem-se conosco. Exemplo disso é o que chamamos de "inteligência artificial". Podemos pensar também em exemplos banais do nosso dia-a-dia, como quando o aplicativo GPS nos diz qual o melhor caminho a se seguir, ou quando damos um comando de voz para o aparelho celular e ele reage atendendo ao nosso pedido ou, ainda, quando estamos lendo um texto e a máquina faz a rolagem automática da tela. Estariam máquinas e homens fundindo-se em algum nível? 
Na verdade, são muitas as reflexões que os vídeos podem nos proporcionar. Caberia aqui uma análise quase infinita, mas, particularmente, interessa-me voltar o olhar para as questões educacionais. É preciso pensar em como todas essas mudanças na sociedade, no homem, na forma de agir, pensar e construir conhecimento nos leva à necessidade de se reformular a forma pela qual a educação vem sendo praticada. É notável que há muito trabalho a ser feito e que já estamos atrasados nessa tarefa.

Resposta e Complementação
por Elizabeth Batista

Oi Bruna,
Sua síntese sobre os vídeos foi muito feliz ao abordar os principais pontos de reflexão trazidos para debate do grupo.
O conteúdo dos vídeos demonstra como a sociedade em rede tem transformado de forma substancial as práticas educativas, permitindo, por meio das diversas mídias disponíveis, aumentar a interatividade, partilha e construção colaborativa entre as pessoas.
Como ressaltado por você, há de se reformular as práticas educativas, de modo a acompanhar todas estas transformações. O vídeo “A vision of students today” mostra claramente as dificuldades enfrentadas pelas instituições educacionais que não se apropriaram das novas tecnologias e não as integraram às atividades educativas. Em muitos contextos escolares ainda se proíbe o uso de celulares e outros aparelhos que possam “distrair” os estudantes durante as aulas, considerando a tecnologia um “inimigo” do processo de aprendizagem. No entanto, já vislumbramos experiências bem sucedidas de escolas que trazem para dentro de sala os recursos tecnológicos e que já se apropriaram das benfeitorias que a interatividade via rede podem oferecer.
Vivemos um momento de transição, em que temos ainda como professores pessoas que não são “nativos digitais” e que foram submetidas a uma formação tradicional, onde o professor era a fonte única do conhecimento formal. De certo, este conflito é esperado, quando temos jovens nas escolas, “nativos digitais”, em perfeita harmonia com a tecnologia e seu “modus operandi”. A construção coletiva e o acesso imediato a várias fontes de conhecimento, via hiperlinks, que permitem ao estudante a leitura dinâmica e não linear de assuntos diversos, passa a concorrer com a visão tradicional de educação. O vídeo “The Machine is us/ing us” explora exatamente esta a dinâmica dos hiperlinks e das possibilidades de construção colaborativa por meio do uso dos recursos da rede.
Na palestra do professor Mike Wesch (vídeo “The machine is (changing) us”) ele fala de uma questão muito interessante que éthe media are not just tools. Ele ressalta a função de mediação de nossas conversas exercida pelas mídias. Elas não seriam apenas ferramentas, mas sim meio que permite a interação entre pessoas independente de suas localizações geográficas. Compreender esta questão posta pelo professor Wesch, ajuda a desmistificar a interação via rede, possibilitando a superação da premissa que a rede tende a nos tornar mais egoístas e menos sociáveis.  No âmbito educacional, este entendimento possibilitará aos professores uma prática de ensino que motive, mobilize e gere interesse nos alunos para um aprendizado efetivo.
Por fim, um último aspecto a ser debatido é a “função social da educação”. O vídeo “Students helping students”, que mostra uma experiência na universidade do Kansas, exemplifica como as redes podem potencializar os efeitos destas ações. Ao contrário do que muitos ainda argumentam, sobre o caráter solitário da auto-formação potencializada pelas redes, esta experiência mostra que as redes podem mobilizar ainda mais pessoas para ações comunitárias e ajuda mútua.
Como Bruna afirma em sua síntese, há muito a ser feito, principalmente no que tange a capacitação de profissionais de educação para esta nova realidade, mas já temos experiências inspiradoras e que servem de exemplo para todos nós educadores.  

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Conhecendo Baudrillad e Virilio

Na uc Educação e Sociedade em Rede, do mestrado em pedagogia do elearning (UAB), foi proposto que conhecêssemos um pouco sobre dois importantes autores franceses:

    • Jean Baudrillard - 1929 - 2007
    • Paul Virilio - 1932

Ambos falam a respeito das influências das tecnologias no mundo de hoje. Apesar das controvérsias, o primeiro é conhecido por seu olhar mais positivo sobre as tecnologias, enquanto o segundo seria um crítico mais atento aos seus problemas e riscos. 

Baudrillard defende que a realidade virtual tornou-se hoje mais poderosa e atraente do que a própria realidade. A observação direta dos fenômenos visíveis vem sendo substituída pela teleobservação que, apesar de atrativa, tantas vezes mascara o real. Como exemplos desse mascaramento das notícias e informações divulgadas, podemos citar o sensacionalismo, a edição de imagens e/ou a manipulação das informações de acordo com visões políticas, pessoais, etc. Além disso, essa ausência da percepção imediata da realidade concreta pode gerar um desequilíbrio entre o sensível e inteligível, o que também contribui para o surgimento dos erros de interpretação.

Segundo o autor, a realidade virtual é construída (hiper-realidade) e os mídias são seus principais representantes. Imagens e símbolos ganham imenso destaque nesse novo mundo, que não objetiva ser uma imitação da realidade concreta, mas sim uma nova realidade. A esse fenômeno, o autor dá o nome de "simulacros". 

A simulação (do real) e os simulacros, impulsionados pelo crescente uso das tecnologias, adquiriram importância e poderes tão amplos no mundo atual que proporcionaram a ruptura com o real e, até mais que isso, a perda do real.

Nessa teoria, as tecnologias são reconhecidas como extensões do homem e permitem a eles viver esta hiper-realidade de forma a ampliar suas possibilidades e experimentá-las com imensa rapidez. A velocidade das informações e acontecimentos é intensificada pelas tecnologias, que também intensificam as incertezas.

Virilio, por sua vez, não concorda com essa ideia de ruptura ou perda do real. Para ele, o real persiste e as novas tecnologias são construídas em relação com o antigo e não como rupturas.

A era da informática, porém, apresenta riscos para a realidade concreta, pois altera as noções de tempo e espaço, além de apresentar uma quantidade de informações exagerada. A isto associa-se a rápida velocidade das mesmas informações e dos acontecimentos, fato que sobrepõe o agora/momentâneo ao historicamente construído. Neste sentido, as tecnologias fragmentam a realidade e tornam-se nocivas à reflexão aprofundada e à compreensão global/sequencial/histórica de assuntos e experiências. Com isso, o homem perde algumas de suas capacidades mais importantes, o que leva Virilio a enxergar a tecnologia como desumanizadora.

Sua teoria defende que a transição da experiência real e física para a virtual abala a verdade, o significado e a validade da mesma. A percepção concreta e real é perdida quando o contato entre sujeito e objeto se dá através das tenologias.

O autor estabelece relações entre a organização e funcionamento das relações e informações na realidade proporcionada pelas tecnologias e em uma realidade concreta, por ele representada pela cidade. A partir destas comparações, Virilio busca fundamentar sua visão de que as alterações nas noções de tempo e espaço, juntamente com o excesso de informações proporcionadas pelas tecnologias, é prejudicial para o homem e para sua realidade concreta.




Referências:

VIRILIO, Paul. O Espaço crítico. Tradução Paulo Roberto Pires. 1. ed. Rio de Janeiro:
Editora 34, 1993. 160 p. 

BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e Simulação. Lisboa: Antropos, 1991.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Baudrillard
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Virilio
http://pedadogiaelearning.blogspot.com.br/2010/04/baudrillard-e-virilio-breve-introducao.html
http://www.efdeportes.com/efd64/virtual.htm
http://enculturation.net/4_2/beard-gunn/computer.html
http://www.uta.edu/huma/illuminations/kell29.htm